Após 39 anos presos por homicídio, inocentes são libertados nos EUA

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Wiley Bridgeman e Ricky Jackson foram presos após falso testemunho.

Pena de morte tinha sido transformada em condenação à prisão perpétua.

Wiley Bridgeman (esquerda) é observado pelo irmão Kwame Ajamu ao falar com repórteres depois de ser considerado inocente nesta sexta (21), após 39 anos na prisão  (Foto: AP Photo/Phil Long)Wiley Bridgeman (esquerda) é observado pelo irmão Kwame Ajamu ao falar com repórteres depois de ser considerado inocente nesta sexta (21), após 39 anos na prisão (Foto: AP Photo/Phil Long)
Dois homens que ficaram presos por quase quatro décadas foram liberados nesta sexta (21), após serem inocentados de um assassinato em 1975 por que a testemunha chave contra eles – um garoto que tinha 13 anos na época – retratou seu testemunho.

Um juiz de apelação civil do condado de Cyyahoga retirou as acusações contra Ricky Jackson, de 57 anos, e Wiley Bridgeman, de 60. A testemunha recuou no ano passado e disse que investigadores da polícia de Cleveland o forçaram a testemunhar que os dois, juntamente com o irmão de Bridgeman, tinham matado o empresário Harry Franks em 19 de maio de 1975.

Promotores do Condado de Cuyahoga apresentaram na quinta uma petição para retirar todas as acusações contra os três homens, que inicialmente foram sentenciados à morte. Ronnie Bridgeman, de 57 anos, e que agora se chama Kwame Ajamu, foi solto da prisão em janeiro de 2003. Ele compareceu à audiência dos outros dois homens na sexta.

Quando cancelou o caso contra Jackson, o juiz Richard McMonagle disse, “a vida é cheia de pequenas vitórias e esta é uma das grandes”.
Ricky Jackson sorri ao ser entrevistado na saída da audiência que concedeu sua liberdade após 39 anos na prisão  (Foto: AP Photo/Phil Long)Ricky Jackson sorri ao ser entrevistado na saída
da audiência que concedeu sua liberdade após 39
anos na prisão (Foto: AP Photo/Phil Long)
“A língua inglesa nem serve para descrever o que estou sentindo”, disse Jackson ao sair do prédio na sexta. “Estou eufórico. 
Você se senta na prisão por tanto tempo e pensa nesse dia, mas quando ele realmente chega você não sabe o que vai fazer, você apenas quer fazer alguma coisa”.

Bridgeman, de 60 anos, disse que nunca perdeu a esperança de que seria libertado definitivamente. “Você continua lutando, continua tentando”, disse.

Bridgeman abraçou seu irmão Ajamu ao deixar a corte. Ele parecia sobrecarregado pelo turbilhão dos últimos dias, dizendo não ter certeza do que o futuro reserva, a não ser por um jantar comemorativo com peixe no cardápio.

“Fique comigo. Você vai ficar bem”, disse Ajamu. “Eu não vou te deixar”.

Jackson e seus advogados planejaram celebrar na sexta em um hotel. Ao ser perguntado onde ele iria morar, Jackson respondeu: “é irônico. Por 39 anos eu tive um lugar para ficar. Agora, você sabe, isso é incerto”.

Amaju disse que em uma entrevista na quinta que a perspectiva de os três estarem juntos novamente era “inacreditável”. Ajamu passou seu 18º aniversário no corredor da morte e estava na prisão quando sua mãe, um irmão e uma irmã morreram.

“A ideia de que meu irmão – esses dois caras são meus irmãos – estão saindo? Eu nem ligo para mim”, Ajamu disse.

Pena de morte
Os três foram condenados à morte por uma lei capital de Ohio que foi declarada inconstitucional pela Suprema Corte dos EUA em 1978.

As sentenças de morte dos Bridgeman foram transformadas em prisões perpétuas após a decisão. A sentença de Jackson foi mudada em 1977 por causa de um erro nas instruções do júri.

O processo de três anos que levou às suas libertações começou com uma reportagem publicada na revista Scene em 2011, que detalhava as falhas no caso, incluindo o questionável depoimento de Eddie Vernon. Vernon, que agora tem 52 anos, não se retratou até que um pastor o visitou em um hospital em 2013. Ele caiu no choro durante uma audiência sobre Jackson na terça e descreveu as ameaças dos investigadores e o peso da culpa que carregou por tanto tempo. Vernon não foi localizado nesta sexta para comentar o caso.

Jackson diz que não guarda rancores de Vernon. “Foi preciso muita coragem para fazer o que ele fez”, disse. “Ele esteve carregando um fardo por 39 anos, assim como nós. Mas, no final, ele se arrependeu, e sou grato por isso”.

O Ohio Innocence Project assumiu o caso de Jackson após o artigo na Scene, embora não houvessem provas de DNA, a marca registrada nos casos do projeto. Um advogado de Cleveland representou Bridgeman e Ajamu.

Joe Frolik, um porta-voz do promotor do condado, Tim McGinty, não quis comentar o caso na quinta, a não ser para reiterar uma declaração de McGinty tinha feito na terça: “O estado admite o óbvio”.

Fonte: G1
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