Tenho autoridade para tornar sistema imigratório mais justo, diz Obama

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Em um discurso em Las Vegas, com clima de comício e cercado por políticos democratas de origem hispânica, o presidente americano, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira (21) ter “autoridade legal para fazer o sistema imigratório mais justo”. 
A afirmação foi feita depois de ter assinado um decreto presidencial que evita a deportação de imigrantes que estejam há mais de cinco anos no país e que já tenham filhos americanos ou com residência legal, desde que tirem uma certidão de antecedentes criminais e paguem os impostos devidos.
Carolyn Kaster/Associated Press
Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre imigração durante discurso em escola de Las Vegas
Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre imigração durante discurso em escola de Las Vegas
“Tem gente que fala que é dura contra os imigrantes ilegais, mas se aproveita para dar salários mais baixos a quem é vulnerável e pode ser deportado”, disse.
O presidente afirmou que, apesar de não poder conceder cidadania ou vistos permanentes (o que depende de aprovação do Congresso), sua medida “permite que muita gente saia das sombras”, sem medo de deportação.
Quase 5 milhões dos 11 milhões de imigrantes sem papéis podem ser beneficiados.
Editoria de Arte/Folhapress
ALÍVIO TEMPORÁRIOObama anuncia ações para evitar deportação de até 5 milhões
Obama repetiu diversas vezes que antecessores republicanos como Ronald Reagan e George H. W. Bush aprovaram decretos parecidos para regularizar a situação de imigrantes sem documentos.
Durante o evento, dezenas de presentes gritavam “Sí, se puede”, uma versão em espanhol do slogan da campanha de 2008 de Obama “Yes, we can” (Sim, nós podemos), mas dois manifestantes reclamavam com gritos que o presidente não fez o suficiente.
Os chamados “dreamers” [sonhadores], imigrantes sem papéis que chegaram como crianças no país e não podem mais ser deportados, não conseguiram estender o fim da deportação para seus pais – só aqueles com filhos já regularizados que podem recorrer, de acordo com o novo decreto.
OPOSIÇÃO
A oposição republicana endureceu o discurso contra o presidente por conta do decreto presidencial.
“O presidente decidiu sabotar deliberadamente qualquer chance de reformas suprapartidárias que diz buscar”, afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que chamou o presidente de “rei”.
Boehner não deu mais detalhes do que faria, mas vários deputados republicanos sugeriram que vão aprovar leis que reduzam o orçamento das agências encarregadas em regularizar a situação dos sem documentos. Outros nomes da oposição falaram em interpelar o presidente na Justiça. Houve quem levantasse a possibilidade de impeachment de Obama.
O deputado Stephen King, que visitou nesta sexta a fronteira com o México, disse que uma das opções era “fechar o governo” — termo usado para não se votar o orçamento do governo federal no Congresso.
Um grupo de deputados republicanos entrou com um processo nesta sexta contra os Departamentos de Saúde e do Tesouro contra subsídios previstos pelo plano de saúde criado por Obama, apelidado “Obamacare”.
A decisão de Obama traz riscos políticos para os dois grandes partidos. Para os democratas, a ideia de que o presidente está excedendo seus poderes constitucionais e oferecendo uma “anistia” aos sem papéis para agradar um de seus eleitorados mais fiéis, os hispânicos.
A deputada republicana Michelle Bachmann, de Minnesota, ligada ao movimento ultraconservador Tea Party, disse na quarta (19) ao jornal Washington Post que Obama queria “aumentar o número de eleitores analfabetos do Partido Democrata”.
Mas várias lideranças republicanas admitem que podem se queimar com o eleitorado latino se a “linha dura” do partido exagerar nas críticas ao presidente, exigindo mais deportações. O senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, advertiu que “se os republicanos exagerarem na reação, o caso será sobre nós, não sobre Obama”.
Segundo pesquisa do jornal Wall Street Journal e da rede de TV NBC, 48% dos americanos desaprovam a ação unilateral de Obama sem o Congresso, enquanto 38% aprovam. Mas 57% apoiam um programa rumo à cidadania para os sem papéis, número que sobe para 74% se incluídos antecedentes criminais e regularização de impostos devidos, como prevê o decreto. 
Fonte: Folha de SP
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